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Igreja de São Bartolomeu | Coimbra, Portugal

A Igreja de São Bartolomeu, em Coimbra, é o retrato de uma estrutura que atravessou diferentes períodos da História de Portugal, desde a Alta Idade Média até meados do século XVIII. Na Baixa de Coimbra, junto a atual Praça do Comércio, é uma das edificações religiosas mais antigas da cidade.

Edificada na década de 1170 ou 1180, foi demolida no século XVIII e, em seu lugar, edificado novo templo da mesma invocação. A igreja edificada no século XII, por sua vez foi reconstruída sobre anteriores igrejas dos séculos X e XI, após danificação causada pelas invasões islâmicas.

À esquerda, Igreja de S. Bartolomeu na gravura de Coimbra de Baldi (1669);

À direita, Igreja de S. Bartolomeu localizada em uma fotografia de Coimbra (1855).

Sofreu nova reconstrução integral, a partir de 1756, com orientação rodada 140º, voltando-se a fachada para a praça. Escavações arqueológicas realizadas em 1977-1978 permitiram recuperar parcialmente a planta do templo românico do século XII, e ainda identificar várias transformações sofridas pela igreja nos séculos XVI e XVII, como o alteamento do piso da igreja e a sua reorientação.

Poderiam eventualmente achar-se vestígios de igrejas anteriores à românica, porém dificuldades de várias ordens impediram o aprofundamento do nível das escavações. O descoberto templo românico aproxima-se tanto da igreja de São Tiago, mesmo nas dimensões, que parece possível reconstituir-se por esta a planta e o alçado da igreja de São Bartolomeu. Teria o templo ainda um grande atrium, que seria seu espaço cemiterial.

Fotografias das escavações (A igreja românica de S. Bartolomeu de Coimbra, Jorge Alarcão).

A atual edificação barroca encontra-se em mau aspecto e em deterioração, necessitando de reabilitação, com especial destaque à umidade ascensional, efeito da localização na zona baixa da cidade de Coimbra, junto ao rio Mondego, que sofria frequentemente inundações com a subida sazonal do nível das águas. Os registos arqueológicos medievais não estão abertos para acesso do público.

O arquiteto e urbanista Étienne de Gröer, em seu Plano de Ordenamento, de Extensão e Embelezamento da Cidade de Coimbra (1948), indica a igreja de S. Bartolomeu como um monumento a ser preservado, conforme a alínea número I da página 106, que tem por título "LISTE DES MONUMENTS".

Fac-símile da página 106 do Plano De Gröer

Fonte: Arquivo Histórico da Direção-Geral do Território

A seguir, você pode conferir algumas fotografias desse monumento que registrei nos meses de maio (fotografias externas) e junho (fotografias do interior da igreja) de 2023.

Valor a ser mantido

A edificação, enquanto monumento, representa o testemunho material de diferentes épocas. A ação do tempo e as intervenções do homem provocam transformações no edificado, e se não preservado, pode vir a tornar-se ruína ou ter completamente extintas as suas características originárias, comprometendo a memória arquitetônica do patrimônio.


A especificidade do monumento prende-se então, precisamente, com o seu modo de ação sobre a memória. Não só ele a trabalha, como também a mobiliza, de forma a recordar o passado (CHOAY, 2014, p. 17).


Este passado pode contribuir para a manutenção da identidade de comunidade, em que a reabilitação de edifícios é instrumento para resgate da memória arquitetônica e urbanística no cenário da vida citadina. 

Bibliografia:

CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. Unesp, 2017.

DE ALARCÃO, Jorge. A igreja românica de S. Bartolomeu de Coimbra. Conimbriga: revista do Instituto de Arqueologia, n. 48, p. 211-230, 2009.

Sites:

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4204

https://www.cm-coimbra.pt/areas/visitar/conhecer-coimbra/monumentos/igreja-de-sao-bartolomeu

https://www.dgterritorio.gov.pt/dgt/patrimonio/arquivo-historico/pesquisa-atributos



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